Forma de contratação passa por transição do modelo CLT para MEI

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A mudança nas relações de trabalho, aceleradas pelo contexto da pandemia de covid-19, implica em pensar como capacitar a sociedade para a nova realidade, seja na profissionalização enquanto empreendedor, em pensar a prestação de serviço autônoma adaptada ao contexto digital, ou mesmo na modalidade home office e em cursos de qualificação para que as pessoas não se tornem dependentes do auxílio emergencial, alimentando o subemprego como complemento de renda.




Estas são as preocupações levantadas pelo presidente do Conselho Regional de Administração do Amazonas (CRA-AM), Inácio Borges, que vê, com apreensão, o aumento do desemprego no País, sem que estejam sendo pensadas medidas para melhorar o índice a longo prazo, já que a estimativa é de que esse número chegue a 14,2% até o fim do ano, segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal.

“Aquele emprego modelo carteira de trabalho vai cada vez mais diminuir, não apenas pelo contexto de crise da pandemia, mas também pela política do Governo Federal que vem trazendo o cidadão para ser o próprio empresário. Aqui no Amazonas, mais da metade da população tem sua base econômica no modelo da Zona Franca e isso tem limitações”, afirmou Inácio Borges durante entrevista ao Economia em Debate. O programa é apresentado semanalmente pelo economista Jefferson Praia como um projeto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em parceria com o Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM).

“Devemos buscar alternativas, olhar o MEI (micro empreendedor individual) como um processo de transição saindo da CLT. Mas, para isso, é preciso dar suporte a esse contingente, é preciso trabalhar sua qualificação”, completou.

A mudança de visão da relação de trabalho como uma prestação de serviço qualificada potencializa até mesmo novas contratações, segundo o presidente do CRA-AM, uma vez que diminuir o custo do empresário e inicializa. “A quarteirização veio para assumir um papel de destaque na Economia; todos os países que se desenvolveram têm esse olhar. Além disso, hoje, só fica em uma empresa quem tem habilidade e competência, quem entrega aquilo que promete. E quando se é MEI, tenho essa possibilidade de escolher o melhor e de rescindir o contrato, se for o caso. Daí a importância da qualificação”, explicou Inácio Borges.

Inácio Borges defende que todo governante deveria se perguntar e buscar a resposta a respeito do auxílio emergencial: se é a solução e se deve ser permanente. “Muitas universidades, faculdades, institutos, oferecem cursos gratuitos. É preciso também que o Estado estabeleça uma parceria com essas instituições para tornar o período de aprendizado e preparar a população para a próxima etapa. Precisamos desenvolver uma estratégia de trazer pra cima essa renda básica, mas com qualidade e consistência, para não voltar ao que era antes”, afirmou o presidente do CRA-AM.

Essa preocupação deve se expandir também para os municípios do interior do Amazonas, segundo Inácio Borges, onde o maior empregador é o poder público, que paga os maiores salários, e os programas de transferência de renda do Governo Federal. “Essas populações têm condições de vida precaríssimas porque elas não têm capacitação para enxergar, acabam servindo apenas de mão de obra. Até mesmo os gestores públicos, que poderiam agir por meio de consórcios municipais, ficam presos a uma visão antiga. A partir do momento em que conseguimos capacitar, desenvolver, teremos conhecimento transformado em produto ou serviço. Ninguém vai deixar de comprar e esse círculo virtuoso é fundamental para que a população não fique dependente da capital e do estado”, afirmou.

O desafio da qualificação inclui, de forma urgente, trazer a realidade 4.0 para as micro e pequenas empresas. Inácio acredita que, dentro de quatro anos, será um processo cada vez mais visível nas relações de trabalho e nas indústrias. “A oportunidade de trabalho no pós-pandemia nada mais é do que o modelo do ZFM ficar mais automatizado. Não é que não terá mais emprego, vai precisar cada vez mais do profissional que pense fora da caixa e que não apenas aperte o parafuso, mas que desenvolva idéias, que pensem produtos, que consigam operar o sistema de casa, serão empregos cada vez mais qualificados”, explicou.

 Dicas

Questionado pelos apresentadores, o economista Jefferson Praia e o presidente do Corecon-AM, Francisco de Assis Mourão Jr, sobre dicas para quem está desempregado, Inácio Borges ressaltou que a mentalidade também deve ser seguida por quem está empregado, a fim de garantir seu posto.

Pensar sobre o que você faz e para quem seu trabalho tem relevância é o primeiro passo. Depois de entender a relevância da sua força de trabalho, é necessário fazer a conexão com “quem precisa”, seja começando pela vizinhança, seja listando pessoas ou empresas que precisam. “Neste momento é preciso que você demonstre que tem condições de fazer boas entregas. Procurar manter-se sempre atualizado no contexto social, econômico e político, para que você tenha posições técnicas, sem espaço para achismos também é importante, e, por último e acima de tudo, ter empatia, se sentir próximo do outro, sentir a dor do outro: não pra chorar junto, mas pra dizer ‘tem uma saída’, isso é o que consegue motivar as pessoas”, afirmou.

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